Antes da história já reinava a arte, à luz das fogueiras e no calejar das mãos a esculpir as pedras da pré-história da humanidade e a retratar-se nas paredes rochosas de seus abrigos. Porque o homem sempre quis perpetuar-se para além de sua memória, sempre quis se encantar nas figuras fantasiosas de sua imaginação, a retratar algo mais que seu cotidiano: seus anseios, crenças e seu mundo presente.
E quando no processo da mente criativa humana houve
então o: haja luz! O verbo escrito então se fez. E o mundo do homem nunca mais
foi o mesmo: à luz da escrita já se podia ver então, a imagem e a forma da
nossa fala, e a História então se fez. Porém a arte que já reinava antes
prevaleceu, impregnada na nova descoberta, e dessa junção resultou a
Literatura, que é mais que uma técnica, sendo pois, uma necessidade inerente à
humanidade.
Desde então, o homem, enquanto humanidade tem-se
perpetuado no tempo e espaço, e o “literar” do povo é quem mantém vivo seu DNA
cultural, mesmo para além de sua existência. Uma terra sem literatura é uma
terra sem memória, e está situada fora dos limites da História da Humanidade de
que faz parte.
Nos dias de hoje os povos antigos e os nem tanto
assim, devem a catalogação de seus feitos e cultura aos nobres artesãos da
palavra que fizeram parte do rol de seus cidadãos. Historicamente o Brasil foi
transcrito pelas mãos de estrangeiros até que a primeira geração de brasileiros
alcançasse a tão nobre dotação das letras além do oceano, depois em chegando em
nosso torrão, a luz das letras ainda precisou alcançar os povos miscigenados,
os caboclos dos arredores da lavra e as mulheres, para só então ter-se nosso
pais cantado e historiado por quem legitimamente fez e faz a Cultura, sendo os
criadores e personagens principais
desta.
Entre os letrados de nossa terra, Brasil, Maranhão,
assim como em todas as outras, existem os nomes que se destacam pela arte da
escrita acadêmica ou erudita, a estes as honras. Porém, temos ainda um grupo de
privilegiados a quem o conhecimento bancário ou não, entrelaça-se aos
sentimentos, tecendo a história junto à memória de quem viveu, amou e cantou
sua terra. Artistas brotados do meio do povo e para o povo. Nas terras do Mearim onde a voz
da literatura fala mais forte, formando aglomerados culturais em sua volta e o
labor de se povo floresce ao som da canção do Poeta que chama, ajunta, alegra,
admoesta e ilumina mostrando o caminho da vida através da arte e fazendo com
que desta terra da água e até das pedras brotem poesia. É assim minha região, irrigada por um rio de águas densas e de margens férteis onde as palavras nascem, crescem, se reproduzem e se perpetuam...
Ana Néres Pessoa Lima Góis

ESTE ESPAÇO SERÁ UM GRANDE PASSO PARA A NOSSA CULTURA!
ResponderExcluirObrigada Samuel! Conto com sua ajuda na colaboração como cronista!
ExcluirSempre que os meus olhos contemplam uma arte, eles querem saltar das minhas cavidades oculares, querendo homiziar-se no seu painel de beleza e esplendor! Para Paul Klee: "A arte não reproduz o que vemos. Ela nos faz ver". As várias manifestações dos movimentos artísticos nos revelam um estado - para quem realmente ama a arte no seu bojo, no seu todo - de indescritível estesia. Desde que conheci a poeta Ana Néres Pessoa Lima Góis, um nome tão grande, quão grandiosas são as suas verves inventivas poético-literárias e artísticas, que nada do que ela venha a criar não me surpreenderá. Com privilegiadíssimos dons na arte de escrever e tecer as telas em pinturas gramaticais palpáveis e surreais, que nos permitem destravar os sentimentos escondidos no recôndito de nossa alma. Este blog é mais uma amostra intrínseca das minhas singelas análises, que ela, essa operária dos retalhos de letras, nos oferta com o seu mais sublimado afeto. Boas novas virão por aqui através de sua inesgotável fonte de versos, diversos. "Alea jacta est!"
ResponderExcluirFrancisco Brito de Carvalho
Academia Barra-Cordense de Letras
Grata Francisco Brito, o sucesso deste espaço depende, em maior parte, dos colaboradores. Desde já, obrigada por você estar sendo um deles!
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